Sunday, February 11, 2007

domingodeespera,cinza&húmido



coisas que queria enquanto espero pelo resultado do referendo:
esta cor de cabelo, estes livros.



penso nesta frase desde ontem......
muito cedo na minha vida foi tarde demais
duras + esao

Friday, February 09, 2007

the dance #10

teus dedos de noite açucarada




karel demel + al berto

Monday, February 05, 2007

the dance #11





só uma parte de mim compreende que a voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas
e.e.cummings + josef moucha
mais uma viagem. mais um nascer durante.
mais um nunca regressar dos teus braços, amén.

Friday, February 02, 2007

the dance #12



I've never included a name in a song but i'm changing my ways for you,
I need you to know,I need you to know
...that i'm real life.

jan reich+g.jacob+joan as a police woman

Thursday, February 01, 2007

the dance #13




depois fica atento ao correio
do secular laboratório nocturno enviar-te-ei
devidamente autografado,

o retrato da solidão que te pertenceu


william ropp + zeva oelbaum + al berto

Saturday, January 27, 2007

para ti.


morrer de amor ao pé da tua boca
desfalecer à pele do sorriso
sufocar de prazer com o teu corpo
trocar tudo por ti se for preciso

m.t.horta

sim + sim em fevereiro

3 dias antes do referendo, o amigo jorge publica + um.

Wednesday, January 24, 2007

vontade de ser espanhol

"uma máquina que transformasse portugueses em espanhóis, impecável, infalível, perfeita, eles entrando por um lado pálidos e mirrados, saindo do outro corados, estendidos de narizes proeminentes e orgulho. uma máquina que fosse tão esperta que,no momento de decidir cada coisa, preterisse sempre portugal e trouxesse ao de cima o esplendor do país vizinho. era pegar nessa máquina, saber quem a inventou e fazer-lhe amor pelo cu até que desfalecesse extenuado.enviar relatório detalhado para todo o mundo, alardiar a satisfação de quem, nem que seja por casmurrice,espera por sebastião."

amanhã, às 22h00,
no teatro do campo alegre.

Sunday, January 14, 2007

As palavras dançam nos olhos das pessoas conforme o palco dos olhos de cada um.
Almada Negreiros





LUZ DE LUNA, chavela vargas

Yo quiero luz de luna
Para mi noche triste
Para soñar divina
La ilusión que me trajiste
Para sentirte mía, mía tú
Como ninguna
Pues desde que te fuiste
No he tenido luz de luna
Pues desde que te fuiste
No he tenido luz de luna
Si ya no vuelves nunca
Provincianita mía
A mi senda querida
Que está triste y está fría
En vez de en mi almohada
Lloraré sobre mi tumba
Pues desde que te fuiste
No he tenido luz de luna
Pues desde que te fuiste
No he tenido luz de luna
Yo siento tus amarras
Como garfios, como garras
Que me ahogan en la playa
De la farra y el dolor
Y siento tus cadenas a rastras
En mi noche callada
Que sea plenilunada
Y azul como ninguna
Pues desde que te fuiste
No he tenido luz de luna
Pues desde que te fuiste
No he tenido
luz de luna.

Tuesday, January 09, 2007

edição apreendida pela PIDE



A oriente sou toda lira
exacta dérmica solar
biografo-me a desenho à pena
com a tinta da estrela polar.

À maternidade da pedra
restituo a casa a levante
e o teu sorriso é navegável
sem rápidos de ciúme e sangue.

Por esse lado tive infância
e derreto a neve das fotografias
destapando o quebra-luz
de uma tépida estampa de tias.

A meu oriente de polido mogno
meu verso tem cadeiras e o habito
com amigos e respiram os móveis
um sossego de folhas de eucalipto.

A sul se eriçam as crinas
se ateiam os cascos do meu verso esquino
druídica me visto de visco lunar
matéria friável de cânhamo e vinho

essa a minha álea de longifólias
acácias à velocidade do crime
por ela em teu coro linha de comboio
me deito à espera que o amor se aproxime

esse o meu jusante de minério e tirso
esse o meu amigo o que não conheço
essa a minha casa a que não habito
minha alma estrela meu nenhum endereço

capa em veludo, sem data de edição.

Monday, January 08, 2007



A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.

regina pessoa + alex o´neill

Thursday, January 04, 2007

i want you

i want you, you, you
all I want is you, you, you
all I want is you
give you the stars above,
sun on the brightest day
give you all my love,
if you would only say
i want you, you, you
all I want is you, you, you
all I want is you

Wednesday, January 03, 2007

cresce-me o outono nos seios de ver as tuas pernas

desenrolarem-se das minhas,num espreguiçar

Tuesday, January 02, 2007

(re)soluções para 07


Throwing the Body into the Fight
(by Raimund Hoghe)

amanha começo aulas com um pintor argentino fora-da-lei + ainda este mês inicio acupuntura + ainda este ano tenho um filho teu.

Friday, December 29, 2006

para ti. um ano.

tentei fugir da mancha mais escuraque existe no teu corpo, e desisti.
era pior que a morte o que antevi:era a dor de ficar sem sepultura.
bebi entre os teus flancos a loucurade não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.
só por dentro de ti há corredores e em quartos interiores o cheiro a frutaque veste de frescura a escuridão...
só por dentro de ti rebentam flores.
só por dentro de ti a noite escuta o que sem voz me sai do coração.


david mourão-ferreira

winter collection

suit me

Thursday, December 28, 2006

pai, desta vez vai ser diferente


que tenho o peito crestado da da tua partida
sem te despedires...
sem me deixares ser mulher para saber-to dizer.
tenho um espinho na garganta
outro mais espesso ao longo das costas.
nao digo de ti o que de falta me fazes nos dias,
nao olho para o céu porque sei que podes baixar o teu braço grande e pousar
a tua mão no meu cabelo,
não faço isso, pai, desculpa.tenho medo e tu partiste cedo de mais para mo explicares...
-pai!,pai! a broa está a arrefecer.....e vem ver-me!...por favor, vem ouvir-me dizer que te amo.

Monday, December 04, 2006

pai, desta vez vai ser diferente

-pai!, vem ver a tua menina antes que ela parta para a cidade do estrangeiro... vem ver-me crescida e mulher.

há chouriço na malga,vinho novo no caneco. gosto da tua terra como se fosse a minha. -pai!, o cheiro dos teus casacos e eu tenho os teus olhos para sempre nos meus.vem ver-me crescida, pai, a saber tudo aquilo que me ensinaste. eu tenho os olhos bonitos e estou perdida de saudades tuas.
concertina abafada, a noite cai na terra, ladra um cão, cheira a fumeiro, cheira a terra, pai!
encontro-te dia-a-dia nas coisas porque vejo igual a ti.
nunca cheguei a dizer-to porque nunca tinha perdido ninguém. queria dizer-to mas não sabia que era para sempre.

-pai!, queres ouvir agora?

(cont.)

Sunday, December 03, 2006

canvas

cevada açucarada, manta de lã de ovelha castanha,
os teus pés dentro do meu colo, o domingo dentro do sofá
e uma paisagem fria atenta ao calor dos corpos
num inverno de lábios bem aquecidos.

Thursday, November 30, 2006

i think more than i want to think

I drink much more than I ought to drink
Because it brings me back you...

Lilac wine is sweet and heady, like my love
Lilac wine, I feel unsteady, like my love
Listen to me... I cannot see clearly
Isn't that she coming to me nearly here?
Lilac wine is sweet and heady where's my love?
Lilac wine, I feel unsteady, where's my love?
Listen to me, why is everything so hazy?
Isn't that she, or am I just going crazy, dear?
Lilac Wine, I feel unready for my love,
feel unready for my love.



degas+"lilac wine"

Wednesday, November 29, 2006

meu coração não sei porque bate feliz quando te vê


bartolini+pixinguinha

Tuesday, November 28, 2006

Friday, November 24, 2006

Não digas que eu não estava à janela,
que não foi para ti o que não viste.
Há tanta coisa que não sabes, não digas.
Um dia ver-me-ás à janela de ontem
com a roupa que hei-de vestir amanhã.
Até lá pensa que me sonhaste.
Nem eu mesma sei o que fiz nesse dia.
Mas a janela guarda os meus dedos
como tu me guardas.
O tempo é uma invenção recente.
Era uma vez essa mulher que viste.
Retira o vidro,
a moldura, e não te esqueças de abrir o horizonte.

Rosa Alice Branco


uma espécie de perda

Usámos a dois: estações do ano, livros e uma música.
As chaves, as taças de chá, o cesto do pão, lençóis de linho e uma cama.
Um enxoval de palavras, de gestos, trazidos, utilizados, gastos.
Cumprimos o regulamento de um prédio. Dissémos. Fizémos. E estendemos sempre a mão.

Apaixonei-me por Invernos, por um septeto vienense e por Verões.
Por mapas, por um ninho de montanha, uma praia e uma cama.
Ritualizei datas, declarei promessas irrevogáveis,
idolatrei o indefinido e senti devoção perante um nada,

(— o jornal dobrado, a cinza fria, o papel com um apontamento)
sem temores religiosos, pois a igreja era esta cama.

De olhar o mar nasceu a minha pintura inesgotável.
Da varanda podia saudar os povos, meus vizinhos.
Ao fogo da lareira, em segurança, o meu cabelo tinha a sua cor mais intensa.
A campainha da porta era o alarme da minha alegria.

Não te perdi a ti,
perdi o mundo
.

ingeborg bachmann+tim burton

Monday, November 20, 2006

fragile journey

Annemarie Schwarzenbach and Ella Maillart


1939

nunca mais me desprender de ti

Friday, November 17, 2006

cheia de promessas está a sexta feira cheia

o papel de parede,
a luz quente e os meiotes,
o sofá e o moscatel
a manta, o queijo, a cidade escura e um filme na tv?

Wednesday, November 01, 2006

que é a nossa insónia senão a obstinação maníaca da nossa inteligência em manufacturar pensamentos, séries de racíocinios, de silogismos e definições bem suas, a sua recusa em abdicar a favor da divina estupidez dos olhos fechados ou da sábia loucura dos sonhos? *

*marguerite yourcenar

Saturday, October 28, 2006

Friday, October 27, 2006

quando as manhãs acordam longe de ti


todo o lugar é também um caminho

r. juarroz

Wednesday, October 25, 2006

textos para nada

depois passa, tudo passa, estou outra vez longe, continuo a ter uma história longuínqua, espero por mim espero por mim ao longe para a minha história começar, para a minha história terminar,e mais uma vez esta voz não pode ser a minha.
Seria para lá que eu iria, se pudesse ir...



samuel beckett+ malevitch

Saturday, October 21, 2006

leilão de cartas de amor

a saudade é a mais longa das viagens.
começa no medo
e não acaba



e.l. kirchner

Friday, October 20, 2006

I'll hold still for a moment so you'll find me

Thursday, October 05, 2006

so many constellations

...i know. i know and you know, we knew, we did not know, we were there, after all,
and not there and at times when only the void stood between us
we got all the way to each other*





paul celan+man ray

Sunday, September 24, 2006

era uma rapariga e dançava



era flor do deserto e ao mar se deu

albert watson + jose agostinho baptista

Thursday, September 21, 2006

o lamento ressoa nas escarpas, algo morre na penumbra dos lilases

Tuesday, September 12, 2006

caminhou de costas sem se voltar
não queria ver outra vez
quem morria de amor
por deixar

Wednesday, September 06, 2006

Monday, September 04, 2006

and no more shall we part